O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o verde acendesse. Na fila do meio, o condutor de um carro mantinha-se com a mão na alavanca das velocidades, o motor em ponto morto, esperando para arrancar veloz logo que a luz amarela passasse ao verde. Os peões que vinham atravessando a rua recuaram precipitadamente para a berma da calçada, obrigados a recuar mais ainda por causa de um ou outro motorista impaciente que se adiantava, invadindo a passagem que lhes estava destinada.
O sinal amarelo apagou-se, o verde acendeu-se. Os automóveis não arrancaram imediatamente por se terem adiantado demasiado, ou talvez por não estarem muito certos se o sinal vermelho não iria de novo acender-se. Aconteceu então o inimaginável: alguém berrou da fila do meio, Estou cego!